domingo, 18 de julho de 2010



Hurt You


Dizem que eu sou bobo por ainda procurar vestígios dela. Mas, se não fizesse isso o que faria então? Não sei cozinhar e detesto contas, é burrice não admitir: Minha vocação tem nome, o dela. Além do mais, é divertido supor suas vontades, às vezes quase acerto. Como naquela vez, em que ela deixou um cara esperando por horas na esquina de uma velha rua na cidade em que morávamos. Ele acreditava que ela só estava atrasada, e que iria aparecer a qualquer momento na esquina contrária a que estivesse olhando, o assustaria. Coitado. Eu sabia que ela não iria, sabia porque dessa vez ele tinha aceitado o convite. A meses ela visitava aquele lugar, esperando por ele. Ele nunca ia. Ele foi, ela se foi. Não era drama ou qualquer sentimento vingativo do tipo. Era medo. De dar certo, de acontecer e depois desacontecer. Aquilo não a fazia melhor, mas ocupava o seu tempo. E isso para ela já era o bastante. Antes que eu me despeça, peço para que não deixem que ela saiba que eu ainda existo. Eu poderia perder todas as pistas, ela poderia desaparecer. Você não quer isso, quer?
















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