
A música já não se escuta. O ventilador já não gira mais. O papel queimou, a caneta falhou. E o amor? Suco de morango e leite condensado, dois pastéis, risos, o canudo balançando no copo, olhares. Olhares tímidos, apaixonados, límpidos, transparentes. Quatro mãos que matavam a saudade. – Cuida de mim pra sempre? Um beijo. Quatros anos. Em quatro anos pode caber uma vida. Ou duas. Ou meia vida. Talvez meia história. Meio romance, quem sabe? E a outra metade, onde fica? Deixou-se levar por essa onda forte, deixou-se dominar por essa esperança intensa, por essa vontade mútua de ficar e não pensar em nada. Perdeu o mistério, a sagacidade, o ar de superioridade, o orgulho. Esqueceu as chatices, as paranóias, as inconstâncias. Transformou-se. Virou-se do avesso. Qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Só mulher. Afim de amar e ser só mulher. Mas agora o remédio universal fazia efeito. O tempo passou, rasgou o combinado, cancelou as juras, instalou a dúvida. Levantou-se da cama, foi até a porta e sentou-se na grama. Papel, caneta e lembranças. Algumas estrelas e o absoluto silêncio da noite. Uma grande lua tímida tentando mergulhar no magnetismo da terra. Ela tentou mergulhar, tentou ficar não só nas superfícies das relações, dos amores, das crenças. Afogou-se. Fundiu o que a vida tem de poético e de fugaz. Quis não estar em seu lugar, quis não estar em lugar nenhum. Doara-se por inteiro, entregara-se. E agora chorava. Só chorava. E agora, só, ela chorava. Chora mais quando vai chegando o dia 16. Há. O maldito dia 16! E lá vem ele encher meus olhos de lágrimas de novo.
Suzane Souza aqui quii
Nenhum comentário:
Postar um comentário